quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Uma Linda Emoção Que Vivi.



Recebi de presente este vídeo de um amigo que com atenção e carinho me prestou esta homenagem, por isso, repito aqui algo que já tinha dito a ele e, que por ser verdade, traduz a minha gratidão ontem, hoje e sempre.

A vida que me falta nunca vai ser suficiente para te agradecer estes momentos tão especiais.




segunda-feira, 24 de maio de 2010

É inútil mesmo chorar



Mais um poema enviado pela querida Maria José Silva-ziel, muito obrigada minha amiga é assim que vou conhecendo um pouco mais da literatura angolana.

«Se choramos aceitamos, é preciso não aceitar»

por todos os que tombam pela verdade

ou que julgam tombar.

O importante neles é já se sentir a verdade

de lutar por ela.

Por isso é inútil chorar.

Ao menos se as lágrimas

dessem pão,

já não haveria fome.

Ao menos se o desespero vazio

das nossas vi...das

desse campos de trigo...

Mas o que importa é não chorar.

«Se choramos aceitamos, é preciso não aceitar»

Mesmo quando já não se sinta calor

é bom pensar que há fogueiras

e que a dor ilumina

Que cada um de nós

lance a lenha que tiver

mas que não chore

embora tenha frio.

«Se choramos aceitamos, é preciso não aceitar»

Prelúdio

Tenho recebido presentes fantásticos de amigos e entre eles poemas maravilhosos. Um deles é este da poetisa angolana Alda Lara que a minha amiga Sofia Pernadas enviou para mim. Por tão bonito e tocante deixo-o aqui publicado.
Obrigada Sofia.

Pela estrada desce a noite
Mãe-Negra, desce com ela...

Nem buganvílias vermelhas,
nem vestidinhos de folhos,
nem brincadeiras de guizos,
nas suas mãos apertadas.

Só duas lágrimas grossas,
em duas faces cansadas.

Mãe-Negra tem voz de vento,
voz de silêncio batendo
nas folhas do cajueiro...
Tem voz de noite, descendo,
de mansinho, pela estrada...

Que é feito desses meninos
que gostava de embalar?...
Que é feito desses meninos
que ela ajudou a criar?...
Quem ouve agora as histórias
que costumava contar?...

Mãe-Negra não sabe nada...
Mas ai de quem sabe tudo,
como eu sei tudo
Mãe-Negra!...

É que os meninos cresceram,
e esqueceram
as histórias
que costumavas contar...
Muitos partiram pra longe,
quem sabe se hão-de voltar!...

Só tu ficaste esperando,
mãos cruzadas no regaço,
bem quieta bem calada.

É a tua a voz deste vento,
desta saudade descendo,
de mansinho pela estrada...





terça-feira, 6 de abril de 2010

Frio


...E de repente faz frio.
Encolho-me até ao limite do meu próprio ser.
A apatia toma conta de mim como a babá ansiada que me faz um mimo.
Lutas, desejos, medos vitórias e fracassos nada me dizem.
Chumbada ao solo do nada, nada me importa...
E uma vontade louca de não ser, não pensar, não reagir, me põe no colo e me faz sentir tão bem como a vontade de em nada mais acreditar.
Comprazo-me com este silêncio, esta solidão e este breu que aos poucos tomam conta de mim.
Não ver nem sentir, muito menos ser.
Sei que o momento é fugaz, que logo a realidade irá buscar alcançar-me, mas até lá, minha alma alça vôo ao infinito da incógnita e da incompreensão, do absoluto e inimaginável e eu, quieta e muda, procuro apenas observar enquanto mergulho neste vácuo de emoções.
Momento díspar cuja efervescência é a mesma da efemeridade, no entanto, ele como eu, existimos.
Vida minha que és tão rica, que dizer de ti se até o teu vazio diz tudo?
Faz frio...
Até quando fará?

sábado, 13 de março de 2010

E por Falar em Fofoca...



ASSUNTO ENTRE AMIGOS

Em carta você pergunta,
Meu caro Tarcísio Roca,
Como se enxerga no Além
Os problemas da fofoca.

Fofoca, ao que me parece,
Se estou certo na lembrança
Pela voz do dicionário,
Era roupa de criança.

Agora, fofoca é isto:
Uma praga que caminha,
Maledicência que nasce
De cabeça miudinha.

Sabe você: ninguém passa
Sem assuntos escolhidos,
Que só se deve explicar
Da boca para os ouvidos.

De afeição para afeição,
Em algum canto da sala,
Quanta lição de família,
Quanta luz no que se fala.

Mas, a fofoca, meu caro,
No lugar onde se ajeita,
Pelo conceito de agora
É sempre a intriga perfeita

Se a vemos do Além? De certo...
É uma sombra indefinida
Que se enrola ou se distende,
Lançando estragos à vida.

Faz-se garra, pedra, nuvem...
Faz-se monstro ou veneninho...
Em muita perturbação,
Fofoca vive em caminho...

Você conhece de sobra
As lutas do “leva-e-traz”,
Notemos algumas delas
Em nossa busca de paz.

Lilia da Conceição,
Exagerava o que via;
Temos três lares em guerra,
Por fofoca de Lilia.

Ouvindo a nora sem vê-la,
Falando a um gato do Enoque,
O sogro fez a malícia,
O filho morreu de choque.

Havia um Centro de Amparo
No Sítio do João Vilhena,
Quando a fofoca surgiu,
A obra saiu de cena.

Recorde o Grupo das Preces!...
Intriga de Aninha Rosa,
Destruiu a confiança,
Pôs o grupo em polvorosa.

Tião servia... Era médium
No Centro da Irmã Clarissa,
Fofoca envolveu Tião,
Tião morreu de preguiça.

Lembra a Casa da Bondade?...
Fofoca entrou em função,
Acabou-se a caridade,
Começou a confusão.

Ana orava e dava passes
No grupo da Irmã Josefa,
A fofoca apareceu,
Ana deixou a tarefa.

Joel era pregador
No templo do irmão Nazário,
A fofoca trabalhou,
Lá se foi o missionário.

Só se falava de Deus
No grupo do irmão José,
A fofoca deu de cima,
O povo perdeu a fé.

Caíam bênçãos e luzes,
No Grupo da Irmã Zozora,
Fofoca falou em fraude,
O grupo morreu na hora.

Onde fofoca se instala
O remate é sempre assim:
Desconfiança aparece,
A união tomba no fim.

Se você quer trabalhar
No alto dever do Bem,
Perdoe, ampare, auxilie...
Não pense mal de ninguém.

Silêncio e prece – eis a dupla
Que fofoca não desata...
Guarde essa dupla consigo,
Que fofoca também mata.


Cornélio Pires

Este foi um dos primeiros trabalhos que realizei com crianças.
Esta poesia de Cornélio Pires foi transformada por mim num jogral.As crianças iam saindo do meio da platéia cada uma declamando uma estrofe.
Foi uma apresentação linda e dela guardo terna lembrança.

Não Adiantou Saber

segunda-feira, 8 de março de 2010

Tempo Ruim

Há dias em que a nossa vida parece a previsão meteorológica quando anuncia os piores tempos.
Aquele famoso tempo nublado, sujeito a chuvas intensas e fortes trovoadas.
É assim que está o meu astral hoje... Ele anunciou tempo ruim logo de manhã.
Anunciou aquele tempo que traz o desencanto de quem se vê ilhado tendo a um lado o mar bravio, e a outro, chuvas intensas.
Dia em que o dia parece jamais passar e nessa demora inculca sutil desconfiança de que o manto negro da tristeza quer morar em você.
Dia em que o espírito exausto das lutas começa a querer acomodar-se à situação vigente e começa a querer acreditar que nada vai mudar.
Dia em que a entrega à desolação consentida e raciocinada em termos práticos, tenta abafar emoções para não as sofrer em demasia.
Dia em que alma reflete não os raios solares por menos intensos que sejam, mas o nublado das nuvens que se vêm casar ao padrão mental vibratório baixo.
Dia em que o desânimo e a angústia parecem perenes e tentam impor a descrença em melhores dias.
Ledo engano, porém, já que tudo é cíclico numa natureza que naturalmente se entrega à alegria.
Estou assim hoje e estar é um estado, ser é uma permanência.
Como não sou o estado em que me permiti ficar hoje, sei que passo por um tempo ruim, um momento apenas, é passageiro...
Apesar de tudo há certo encanto na tristeza quando ela nos coloca frente a frente com nós próprios e nos obriga a ver aquilo que é de fato importante.
Amanhã será outro dia e, poderá surgir resplandecente o astro rei trazendo a energia e a beleza que hoje não consegui ver nem sentir.
A vida nos impulsiona naturalmente para a frente, esta é a constatação que viver já me proporcionou.
Hoje estou assim, amanhã, talvez...